
Igreja Matriz foi construída no século XVII, havendo autores que defendam a existência no mesmo local de um templo anterior, o que até hoje foi impossível provar.
Erguida num ponto mais elevado do antigo povoado, o edifício destaca-se pela fachada sóbria e robusta, de linhas rectas em que sobressai a torre sineira.
A Igreja é de uma só nave e possui duas capelas laterais assinaladas por pilastras que se completam na corrija, entre as quais se abrem as janelas.
O portal é encimado por um frontão curvo interrompido e sobre este foi aberta uma janela de dimensões superiores às laterais. O templo foi sofrendo melhorias ao longo dos anos e tudo indica que o frontão que rematava o conjunto não foi reconstruído, assim como está incompleta a torre sul, faltando-lhe o andar das citeiras.
Mas é o interior pouco vulgar que sobressai em todo o imóvel. A nave única é coberta por uma abobada de berço, assente em corrija. Os alçados apresentam dois andares separados por uma corrija paralela à primeira e janelas em todos os tramos. As pilastras exteriores encontram correspondência nas interiores que se prologam em arcos de volta perfeita.
O coro está assente num arco abatido, dois pilares e duas capelas laterais sugerem o tradicional cruzeiro dos templos cristãos da Idade Média.

Toda a Igreja é revestida de silhares de azulejos datados do século XVIII, representando a vida de São Pedro e os da capela-mor representam a vida de Santa Iria. Os altares de talha dourada têm com principais elementos as colunas salomónicas.
Duas pinturas quinhentistas, uma representando a Anunciação e outra o nascimento da Virgem Maria, foram colocadas nas paredes, existindo ainda outras duas telas da mesma época, ilustrando o martírio de São Lourenço e, no baptistério, um Calvário.

Outras duas tábuas, datadas do início do século XVII e maiores, fazem referencia a São Francisco e a Santo António. No Museu do Patriarcado encontra-se ainda a mais valiosa de todas as pinturas, um quadro manuelino que ilustra a Apresentação do Menino no Templo.
Os mármores abundam em todo o interior de edifício, nos altares, no púlpito, nos balaústres do coro.
Do lado direito da nave, edificou-se em 1558, a capela dos Barros, onde estão depositadas duas arcas tumulares, a de Jorge de Barros e sua mulher Filipa de Barros, fundadores da capela e do lado oposto a dos pais de Filipa de Barro. O tecto é decorado com pinturas e sobre o altar de talha está colodada uma valiosa imagem de Nossa Senhora da Conceição.
Do lado esquerdo fica uma capela mais recente, construída no século XVII, com um altar em talha. Uma pequena porta dá acesso a uma estreita escada e corredor de acesso ao púlpito e ao coro, a partir do qual se obtêm uma vista bastante interessante de todo o interior da Igreja Matriz de Santa Iria de Azóia.

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